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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Espuma e mar

Espuma do desejo
frescor em olhos cobalto
beijou-te
fardo em minha pele quente
me calo

Curioso prazer
clichê da sedução
cheiro do falo
pernas em seda
fetiche
seu regalo

Espuma a banhar e bater
A mostrar e esconder
Apruma e entrega
Mostra-se e afasta
Espasmo de sedução
sua loucura

Curioso escárnio
egoísmo a lograr-me tristeza
Palavras em veludos
sorriso posado
olhos salgados
minha amargura

Espuma branca
Armadilha da vaidade
Brincadeira do tédio
sua traição

Finde-se sonho
água e salmoura em meus olhos
arde, seca e apaga
vai-se o brilho
meu refúgio

História de mesmo falo
revivo
revolve-me
vai e volta
seu desamor

Perde-se
para ganhar
minutos
tesão
foda
meu desapego

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Beauvoir nos cabelos

Nem por isto o castanho e mais, sim, o loiro inesperado.

E por que Beauvoir?

Por descabelar,

Rebelar,

Retorcer,

Desarrumar,

Surpreender!

Espelhar no imperativo.

O loiro impossível do quem posso e sou, e daí?

Inquietude em seqüência de longos dias,  tédio de dias indo e vindo e explodidos em fios blonds, pelo acaso tropecei naquelas fotos.

Aquelas imagens autodescritivas poderiam ou mesmo tinham legenda, mas estava fácil, nada a acrescentar: estava ali! O equilíbrio do planeta de volta! Ali entendi novamente o processo dos passados cabelos azuis e roxos traduzindo o que se passava por dentro. Como pude deixar aquela sensação boa da irreverência  tanto tempo longe de mim? Agora sim, senti poder de novo.

Aqueles cabelos na certa são a legenda dos dias de hoje. Tradução em silver e black do impossível.

Importa o jeito. Desprogramável na mesma vida.

Improviso sem Chopin e com Ravel.





segunda-feira, 20 de julho de 2015

O simulacro

Debruçada sobre o baú de fotos antigas, a maleta das lembranças mais recentes.
O quase passado de há cinco meses.
Lá dentro, ela sabe, o conjunto das aparências espalhadas aos convivas de Babete permanece protegido. Pistas do contexto. 
Olhos abertos,  a legião de convivas  displicente vagando pelo enredo de dois em pouco menos de uma geração desfilara e permanece ali a debochar dos revezes. Finos e seletos, o gosto oferecido àquelas línguas, os sons e mimos daquela dupla história devoraram o salão e as vidas.  As fotos coloridas, o álbum de óperas e cinemas, as viagens, as declarações de amor em bilhetes e as fitas com certeza dormem confortáveis, acolhidos pelo passado recente, detalhes a comporem o nunca antes e o para sempre na carne de seletas trinta e cinco almas a se fartarem no mais completo êxtase de amor. 
Protegidos pela memória a fazê-los verdade.  A maleta como parte de uma vida.
Olhos abertos e dormência.
Perplexidade.
Espalhada nos pretextos de aventuras e prazeres,  será possível ser apenas o simulacro de aparências de um passado recente? A vida revista. A profunda desesperança. Dor pelos passos a menos e os a mais sinalizados em outras direções. Como mariposas, voam imagens de outra boca dizendo "dearest", dentes exibindo alegria de memórias, passos sincronizados, dedos se esbarrando, almoço e livraria cultura. Caos! Desorientação.
Na tela de 72 polegadas, talvez mais, reportagem mostra Londres e o sub-texto das imagens se desfaz e remonta os passos ao Taste Museun, seguidos ao Shakespeare's Globe, a ponte sobre o Tâmisa, o antes irreal mundo imposto em sentimentos hoje parte inseparável de si mesma. As pistas na maleta, passado presente, vivo, reclamam a vontade louca pelos beijos dedicados, pela mão aquecida na nuca, a fala mansa, o gemido surdo. O amor.
O silêncio fora o exclusivo companheiro em dias, apagado, sofrido e respeitoso. 
Esgotada, sem forças, embalada em margarita, devolve os sentidos abafados ao mundo vilão da realidade. Reclama o espaço, a promessa de amor, a fidelidade. Estranha e se estranha. Sofre em dobro. 
Desmaio da alma.   
Espreita está a vida, espera a calmaria, se esquece, se apaga, espera a maleta de memórias se reabrir e os dois se amarem como loucos
... no palco dos convivas, 
...longe dos desejos de almas intrusas,
...para sempre olhar por dentro de seu doce amado e enxergar a mesma doçura feita em amor para uma vida inteira e para além dela.
Ficar ali, em suspense, aguardar a verdade se deixar passar e se enxergar mentira na ilusão deixada no passado.
Ser presente na maleta de memórias.




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