quarta-feira, 7 de abril de 2021

Seniores boomers, que dias...

 Ah, querido! Aqui está igual. 

Lamento nem ter como te dar uma notícia melhor, tipo o inominável teve um surto de empatia após um raio divino rachar suas ideias de extermínio e se entregou à justiça que o trancou a sete chaves e todas foram entregues por direito reconhecidamente público pelos brasileiros à presidente Dilma. 

Passo seguinte, seremos uma comunidade anarquista apolítica, formada por hermafroditas interplanetários reencarnados durante a pandemia. 

E nós, os fracassados babies boomers seremos expurgados para umas das Luas de Saturno  para formarmos uma nova sociedade, como forma de redenção pelo que não foi feito contra as ideias extremistas que rondaram as urnas sob nossos narizes.


A um amigo e a todos amigos

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Índole de Maria

Sem sentido. Essa é a primeira atitude, a de repulsa por que se sabe que guerras pessoais duram somente estritos cinco a quinze segundos para se deflagrarem a partir de um estopim inusitado. 

Abriu a porta, mãos ocupadas com muitas sacolas de compras do mercado e, ali, mesmo enxergando a impaciência com sinais  iminentes de guerra, a vontade de ignorar na mesma proporção de vezes anteriores não durou dois segundos só porque é assim. Não dá.  O amar em todas circunstâncias natural é recomeço do dia, dormir cansado e acordar disposto como se fosse dia de sol todo dia. Hoje em dia, nos menos ensolarados cumpro a regra de ficar em silencio para a nuvem passar. Aprendi com os dias alemães a acreditar na irreversibilidade do sentimento. Não se discute relação (!!! um absurdo sempre natural??? as coisas são e pronto!) ao menos na regra de um determinado alemão.

Podia desenhar a paz segundos antes. Nada de crítica alguma.

Para listar por curiosidade... os controles remotos fora de ordem e em disposição absolutamente irregular uns dos outros. Canais passeando pela curiosidade sobre desenhos animados, decoração do tipo do it yourself, filmes dublados (um horror possível) muito lixo como se fossem férias para enfim pular para opção Netflix.

A paz de mini bagunça rebelde depois da faxina rebelde em vários cômodos e tarefas ao mesmo tempo. O tempo contado e distribuído para lucrar o dia numa única tacada, e render pernas para o ar nos próximos dias.

O descanso perfeito da deusa contava rendimento de R$ 1.200 na caixinha da casa.  Cinco lavagens de roupa ao invés de lavanderia (300), sai faxineira e entre suor e lágrimas próprias (150),  sai terapia com psiquiatra e entra Netflix (750) Ao final do ano, mantido o ritmo e a necessidade de um dose mínima desta fórmula duas vezes ao mês, a economia poderá atingir R$ 28.800. Abismada com o resultado! Vida de Maria pode ser lucrativa.

E, não! isso não é vida. Preciso de um emprego novo? começar e recomeçar e recomeçar. Confrontar a índole Maria de subsistência com o valor roubado na aposentadoria, o país desigual, sem emprego, sem respeito ao trabalhador e de exploração, com o sonho da casa com jardim, com as sonhadas viagens ao México, Chile, Tailândia, Argentina, Austrália e pela extensão do Brasil sem destino e sem hora.

Fazer diferente e fazer resultados verdadeiros na presença dos sessenta e um anos e três meses na prega da boca, na cirurgia de glaucoma com olho torto, na trava de dor no joelho a cada sentada e levantada. Respeito à vida minha e de todos.

Confrontar Maria com a vida.






sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A quem interessar possa

Ô dia!


Vou começar com "senta que lá vem história".

Corre para todos os lados com sacolas que sobram para apenas duas mãos de uma lista  grande demais para dar conta.

Estamos num sábado e pulei da cama tonta de sono, mas pontualmente às 6, quando às 7 bastaria
"Gosta de correria, imagina!" "Normal para ela! Picas!" Enquadrando o planeta fica tranquilo de entender, só que não.

Não. Não está.

O sonho é estar estatelada no mesmo sofá fonte de filmes e seriados, e nele estar entretida entre o desenho, um bom livro, memórias para deixar. E o dia segue, pede que se socorra o corpo, pede socorro para as almas... e assim nunca o ócio desprovido de finalidade parecera justo.

Três décadas descansando somente no fôlego do sono.

Receita de viver na década de 80: casar aos 22 anos, romantismo nas alturas e pés plantados na independência feminina. Imagem vendida, imagem comprada. Em instantes se torna a solução financeira se acomoda nesta imagem, perde-se a noção, vira-se a que manda nas tarefas do que precisa a casa, os filhos e a família. Envelhece-se de responsabilidades e o corpo sisudo metendo medo aos outros para afastar e se impor no padrão masculino dos negócios.

Torna-se exemplo de quê? de sacrifício.

Assim a vêm e por dentro morre-se  sem notar.

As tardes poderiam ter sido diferentes sem o clichê da independência.

O corpo poderia ser são, manter-se dócil sem revolta, sem se arriscar, sem exigir, sem escorregar.

Ditadura boa seria a de proibir a falácia da publicidade das necessidades inventadas. Geraria mães sãs, sem carga por suprir o todo, e pais talvez mais conscientes de que o clichê as sufoca.


segunda-feira, 16 de julho de 2018

Um estranho

O som nos LPs do passado regando o jantar, as lembranças e as lágrimas permaneceram na solidão de seu silêncio, não as compartilhará comigo, reticências ao meu propósito de conhecê-las.  
Em voz embargada, seu soluço não se convertera nem se entregara livremente em meu colo. Permanecera na distância segura do seu próprio momento como se pouco à vontade estivesse em dividi-las com uma estranha. 
Assim me desfizera. 
Assim me lançara mais uma vez para fora de nós dois. Percorrera por várias vezes e seguirá percorrendo as ruas de outros endereços, na curiosidade incurável da vaidade egoísta por afagos, delícias e prazeres de outras mulheres atraentes, cresce entre nós a mágica solidão a devolver-nos força dos sós. Afrouxa-se a linha, parte-se o cristal. 
Impossível desconhecer que algo vai mal. Somente se a verdade aceita for a das pequenas e grandes mentiras de todo dia.
Mercedes Sosa, Bethânia, Erasmo desfilando e o silêncio de seus pensamentos gritando contra os meus poderiam ser reaproximação e o jantar um grande acontecimento naquela delícia culinária da combinação final. 
Mas o principal tempero faltou: intimidade de outros tempos. 
Músicas ora fartas, ora inocentes ou banhadas em tristeza nostálgica faziam par com o pretexto do preparo da comidinha especial para nos descobrirmos. 
Recatada nas perguntas e nos toques, medi palavras em perguntas curtas sobre o motivo de lágrimas, sem eco firme, nada surgiu e o silêncio permaneceu contido apenas no descanso de um abraço...tremi como criança pequena, desconhecia aquela reação distante, desconhecia o homem que chorava, este homem de lágrimas tristes me soara distante.  
Vira ali apenas a face de quem divide a cobiça e o desejo por outros corpos sem pudor, sem respeito ao sentimento que diz ter por mim. 
Revera a cena do encontro escondido, do olhar de disfarce para mensagem indiscreta e tudo se repete, se repete, se repete, nada muda. 
Tristeza.




sábado, 23 de setembro de 2017

Viajante



Cruzara o corredor longo e estreito observando nas paredes nuas apenas as marcas das lembranças. Guardara-as todas.  O endereço do depósito parecia-lhe a decisão correta, medida de proteção. Por vezes questionara cruzar a linha dos solteiros e arriscar as perdas. Estava decidido a seguir em frente pelo corredor, aquelas coleções ficariam para depois. Por hora, um lugar seguro. Por hora viver o sonho, a celebração perfeita nos detalhes do casamento, uma mágica que deixara passar o que seria inevitável. Um ser incorrigível? Ainda não sei.
Olhos parados sobre a sombra desse vulto viajante é o que tenho feito em longas madrugadas, noites e dias inteiros. Preciso saber onde foi que cruzamos a linha em que a mágica cerimônia de casamento começou a se desfazer como areia. Preciso curar a falha. Sangrar esta ferida até que se esgote de qualquer forma, mas da forma melhor possível. Os seus passos que não seguem adiante, suas mãos não tocam mais a minha porta em busca de meu contato.
As pausas sobre as sombras de quadros na parede deste corredor estão matando nossa vida juntos.
Curiosidade. Excitação. Sexo. Vaidade. Encontros. Não sei conviver com isto.
Tenho muito cansaço deste silêncio e dos segredos em seus olhos cruzando outros olhares e desejos.
Um corredor que nunca se acaba para chegar à minha porta e viver a vida de casal comigo apenas.
Preciso do fogo de fantasias, do desejo, do tesão nos detalhes do que fazemos e somos juntos. Tudo o que me levou a me unir a você está sendo desfeito por esta curiosidade mórbita por excitar mulheres, atraí-las, viver momentos de atração.
Esse vulto vagando pelo corredor não é o que desejo. Estou em frangalhos, meu amor. Exausta.
Flores para a casa, jantar de aconchego, vinho à mesa, música, charuto e carinho na varanda, viagem juntos, a mágica. Volta para mim, saia desse corredor.
Estou exausta.





sexta-feira, 15 de setembro de 2017

#To de cara!


Aquela aceleração voltou.
Engolindo palavras por desânimo ou compreensão do imponderável ser que o outro é. Ânsia. Cabeça pensando sem parar, melhor levantar, começou o looping.
Computador, escrever...não, só ler. ler. ler.
Melhor fazer uma pausa antes de interpretar, inventar, sofrer, pode ser invenção, modo diferente de viver, apenas isto.
Gasto, ou investimento, futuro, grana, isto não para. Looping.
Dia amanheceu, preocupação e deixar correr, compreender, perceber o amanhecer forçado, antecipado.
E quanta notícia não dita por ser assim o dia, uma cordinha de fatos pipocando em e-mails, whatsap, telefone, todo canto. Nada certo. Tudo em risco, correndo, entrevista indevida, pessoas incontroláveis, ansiedade, expectativa, envolvimento e cobrança de atitude, não seria eu mais uma causadora, mas poderia ter sido...que alarme, que situação.
Ainda melhor assim, não engrossei esta linha de cabos-armeiros detonando ao invés de desarmar bombas! não foi desta vez, com a cabeça cheia, coração acelerado, mas a boca fechada.
Pensar, contar até dez mil e confiar no tempo, no sentimento do outro e largar a muleta dos problemas.
Obrigada, vida que segue!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Espuma e mar

Espuma do desejo
frescor em olhos cobalto
beijou-te
fardo em minha pele quente
me calo

Curioso prazer
clichê da sedução
cheiro do falo
pernas em seda
fetiche
seu regalo

Espuma a banhar e bater
A mostrar e esconder
Apruma e entrega
Mostra-se e afasta
Espasmo de sedução
sua loucura

Curioso escárnio
egoísmo a lograr-me tristeza
Palavras em veludos
sorriso posado
olhos salgados
minha amargura

Espuma branca
Armadilha da vaidade
Brincadeira do tédio
sua traição

Finde-se sonho
água e salmoura em meus olhos
arde, seca e apaga
vai-se o brilho
meu refúgio

História de mesmo falo
revivo
revolve-me
vai e volta
seu desamor

Perde-se
para ganhar
minutos
tesão
foda
meu desapego

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Espuma e mar